domingo, 26 de outubro de 2008

Bolsa e patriotas, pero no mutcho

As raposas arrancaram mais alguns nacos de carne do mercado financeiro esta semana. Como disse em meu artigo anterior, chegamos a 30 mil pontos na semana que passou. As companhias brasileiras perderam 60% de invesitmentos. Para entender isso, é só mirar a Inglaterra, que já começa a demitir e desacelerar sua economia, depois de grandes perdas e outras que virão nos próximos dias, pois as apostas dos especuladores ingleses não foram totalmente saldadas. No Brasil ficaram pelo caminho empresas de papel, reflorestamento, cimento e grandes frigoríficos.

A economia brasileira entra esta semana na UTI. O mercado, ao que tudo indica, vai abaixo de 30 mil pontos, quando de fato conheceremos a face obscura de uma crise de especulação alimentada amplamente por bancos do mundo todo. Não custa dizer em poucas linhas, que governos, precisamente os ricos, precisam se sentar à mesa e dividir o preço da jogatina. Antes que seja tarde. Mas o difícil nesta história toda é explicar para raposas que não podem comer mais carne.

Daí o braço do Estado ser imprencindível neste momento, não dando trégua para especuladores. Aqui no Brasil, o governo brasileiro necessita continuar jogando duro com essas raposas. Defender nossa economia a qualquer preço. Os empresários brasileiros necessitam continuar investindo, em que pese o consumo mundial já estar dando sinais de queda. Temos que nos reiventar, mas, além disso, proteger nossa economia pois somos com certeza a bola da vez. Somos a Neo Roma. Não podemos acreditar que especuladores do mercado financeiro estejam preocupados com suas nações ou coisa do tipo.

domingo, 19 de outubro de 2008

A depressão dos ausentes

A depressão econômica está por vir, pelo menos é o que especialistas pelo mundo afora estão dizendo. Estudei, por conta e risco a Crise de 29, e descobri que uma das táticas de governos nàquela época era tentar esconder o fato das pessoas. Deduzi, na minha santa ignorância, que a tática destes governantes e de alguns ricos, era a de enrolar o quanto pudessem a população para terem tempo necessário de retirar seu dinheiro de tamanha fria.

Fato é que não temos mais mecanismos mundiais de controle desta jogatina do mercado financeiro. Imagine um jogador de cartas, que ao perder todo seu capital, vira para o dono do cassino e diz: empresta um? Mais um? Mais outros?...E fazer isto mais de 60 vezes. Isto foi o que aconteceu com os bancos pelo mundo todo, a tal da alavancagem, especuladores emprestaram o que os bancos não tinham para pagar ao mercado.

A cobrança começou. Os bancos que não pagam a jogatina, quebram. Tenho informações que um banco alemão apostou o equivalente ao PIB da Alemanha. A Bolsa deve esta semana cair abaixo dos 30 mil pontos, profetizam alguns. Outros falam que a bolinha de ping pong do mercado está se estabilizando, o sobe e desce, mais desce do que sobe, está terminando. Vamos ver muita coisa ruim acontecendo no mercado, esta é um certeza irrefutável. E governos pouco ou nada poderão fazer, porque estão desarticulados, ausentes, depressivos por não terem como se safar de seu ardil.

Difícil prever o que irá acontecer neste cenário. A depressão de 29 fez com que surgissem pelo mundo afora grandes máfias e quadrilhas, governos autoritários, muita morte e sangue. Espero que não mergulhemos neste limbo de violência e fome. O mundo pode até não passar por esta quadra da história novamente, mas a depressão dos ausentes deixou para a próxima geração uma armadilha.

domingo, 5 de outubro de 2008

Pra não dizer que eu não falei dos camelôs

Queria falar de um País à parte, que deu certo. Observo os camêlos todos os dias nos centros urbanos deste País do "jeitinho para tudo". Abrem seus pequenos negócios enquanto as grandes lojas e magazines permanecem quietas, fechadas. Logo pela manhã, esta gente abre um sorriso na porta, atende a gente com tanto respeito e vontade, que dá gosto comprar. Ah, antes que me esqueça, camelô provém de camelot, em francês, "vendedor de artigos de pouco valor”. Nem tanto, tem que pechinchar.

Compram produtos vindos da Ásia, Paraguai e algumas quinquilharias de fabriquetas de fundo de quintal deste país da falta de emprego e sonho. Recriam seus sonhos no subemprego informal das esquinas do Brasil. Em São Paulo, no Brás, Bom Retiro e 25 de Março, além da pirataria, vendem roupa, comida e tudo que possa gerar dinheiro. No Rio, nas praias ensolaradas, no sinal, com malabaristas e palhaços ganhando a vida vendendo de tudo. Em Belô, shoppings populares dão o tom: Xavantes e Oiapoque, um sinal dos tempos, já que Cabral empurrou bugiganga para enganar os índios, e hoje, os índios urbanos aprenderam à lição. Em Curitiba, resolveram chamar o comércio dos manos de Ruas da Cidadania, dá para acreditar. Em Campinas, na rua Ferreira Penteado, Mercadão entre tantos outros os pontos está disseminada a tal da ilegalidade comercial. Será?

A moçada destas lojas vive num País à parte também, sei disso, da história de sonegação e coisa e tal. Mas não é menos verdade, até pelos dados sobre arrecadação de impostos, que há grandes sonegadores neste País. Lembra da loja chique autuada por comércio ilegal, onde, detalhe, trabalha filha do ex-governador. Ah, o terreno foi cedido pelo tal Estado à loja contraventora, que vende roupa para gente fina (será?). Mas deixa este papo bravo para lá, fico observando esta juventude atendendo clientes como se fosse seu primeiro comprador. Adoro poder pechinchar e saber das novidades na área eletrônica.

Essa gente quer dar certo, independente do que governo, fisco e as autoridades pensem sobre eles. Querem trabalho e oportunidade e, além disso, não aceitam ganhar salário de escravos, trabalhar como escravos e ser mais um escravo, mesmo sendo competente. Esta é uma geração que não aceita diques, obstáculos ou grades. Ela veio para dar certo, de qualquer jeito ou de qualquer maneira, gostem ou não, aceitem ou não. Esta gente trilha seu próprio futuro, já que não lhe deram um.

A China e Japão tornaram-se potência pela camelotagem, gente a fim de ser feliz, apesar da chatice deste mundo velho, ocidental, ensanguentado por tantas guerras e tantas mortes. Os camelôs orientais formaram grandes lojas, fábricas e magazines a partir de suas barraquinhas e passaram a comprar tudo no mundo. Até com a Crise do Subprime Americano – leia-se Crise Mundial – os chineses estão faturando, tanto, que vão começar a comprar as empresas brasileiras, depois que o governo brasileiro permitiu aos bancos da China operarem em território nacional, em outubro de 2008.

O japonês é um povo sorridente, gosta de uma boa piada e não perde a oportunidade para negócios. Observando o comércio popular lembro de meu cachorro, Júnior, um pastor alemão muito carinhoso e amigo. O Júnior sempre me recebeu bem, mesmo quando eu estava de mau-humor. Sou tratado como cliente nestas lojinhas, lá a excelência é o senhor cliente. Esta economia paralela cresce numa proporção vertical, sem que ninguém perceba ou dê crédito. Aliás, se esta gente tivesse mais crédito, fico pensando o que não fariam com mais capital.

Enquanto os puristas reclamam das ilegalidades destas pessoas, esta gente trabalha e fatura. Perguntam alguns: mas há que preço? Devolvo a pergunta: quanto tempo esta gente vai ter que esperar para ser feliz? Um pacote miraculoso do governo? Estes comerciantes populares aprenderam: de pacote em pacote o governo embrulha o povo. Até melhorar a tal da Educação? Para, por exemplo, deixar de existir cotas para negros na universidade. Até melhorar a Saúde? Conta outra. Até...até...até... Políticos e autoridades esqueceram que esta gente vive no mundo real, Real, literalmente, e custa caro manter corruptos. Sem pedantismo também aqui, sei que qualquer poder político no mundo se sustenta pela corrupção, Maquiável comprovou isso com todas as letras.

Pagar contas e cumprir obrigações é algo mais difícil para quem sustenta, com impostos, o sistema, por exemplo, jurídico falido. Imagine o sujeito ter que esperar 15 anos para ter uma resposta da Justiça. Os jovens comerciantes populares querem dinheiro, muitas baladas, roupa bonita, saúde e educação, mas chega desta papagaiada de dizer que o país precisa crescer para depois dividir o bolo entre todos. Delfim dizia isto lá na Ditadura, vai te catar para quem continuar dizendo esta asneira. A festa é agora, o resto é um País carcomido pelos velhos vícios, que está ruindo dia-a-dia. Parafraseando o antropólogo Darcy Ribeiro: quem disse que o pobre gosta de tudo feio?

sábado, 20 de setembro de 2008

Crise Mundial: Sinais dos Tempos

A Bolsa de Valores mostra sua face mais normal para desentendidos e horrorizados expectadores e leitores que tentam entender, em vão, a jogatina que é o mercado financeiro. As perguntas que ficam no ar destas pessoas que não entendem nada do assunto, deixam uma resposta em forma de axioma: para investir em Bolsa ou entender dela é preciso participar. Como vou me interessar por algo que não faz, em certa medida, diferença no meu dia-a-dia? Esta questão deixa mais precisa a pergunta que pulula na cabeça dos que pouco ou nada sabem sobre o sobe e desce da Bolsa.

Vamos a algumas respostas sobre a tal crise. A crise econômica mundial começou com a crescimento econômico de economias como a do Brasil, Índia, Ásia e países do Oriente Médio. Estes países e continentes passaram a vender produtos industrializados, commodities (agrícolas e petróleo) e produtos agropecuários para o mundo todo. As economias tradicionais, poderosas, ficaram dormindo no ponto. Europa, EUA e Japão continuaram no ritmo normal de produção.

Paralelo a esta situação, os EUA, por exemplo, por ter muito dinheiro e não saber o que fazer com ele, resolveu queimá-lo financiando a construção de imóveis, mediante empresas do setor de construção civil pouco ou nada confiáveis. Somando-se a isso, corretoras inescrupulosas, saíram no mercado americano vendendo papéis destas empresas, bancos e fundos de pensões caíram na armadilha comprando tais papéis. Aliás, estas ações não tinham lastro, devido os compradores dos imóveis não pagarem suas prestações regiamente, quer pelo desemprego ou pela desaceleração da economica americana.

Quando o mercado financeiro descobriu a fraude, já era tarde, bilhões de dólares prometidos como dividendos pelas ações podres, conhecidas por subprime, não passavam de areia vazando entre os dedos. A crise que vem desde novembro de 2007, teve seu ápice na quarta-feira, dia 17 de setembro, quando num "Efeito Manada" fundos de pensões e bancos venderam suas ações podres por qualquer preço e investiram em ativos do governo americano, ganhando até menos em dividendos.

Busch e o Federal Reserve (FED), Banco Central americano, na sexta-feira, dia 19, resolveram anunciar um pacote econômico, que em síntese, injeta bilhões de dólares nos bancos que venderam títulos no subprime, visando estancar a sangria da economia mundial e americana. A crise deixou de ter a perspectiva de ser sistêmica. Graças.

Mas é engraçado ver os americanos salvarem seus bancos, quando se lembra que não muito tempo atrás, os gringos do Velho Oeste recomendavam para nossa economia, na época do presidente FHC, que deixássemos quebrar os bancos brasileiros. O Fundo Monetário Internacional (FMI) apontava o dedo para nós, num tom inquisitor, exigindo que deixássemos quebrar nossa economia.

Pimenta nos olhos dos outros... Sinais dos tempos, o mesmo antídoto não foi utilizado agora pelo governo americano, que tratou de salvar suas instituições financeiras, com US$ 700 bilhões de dólares, aumentando sua dívida pública para US$ 13.315 trilhões de dólares. Quem pagará esta jogatina travestida de investimento em mercado de capitais? Nós, o restante do mundo. E só não sofremos mais com esta crise de maneira avassaladora, porque o metalúrgico pagou a dívida, mandou o FMI plantar coquinho na descida e, com isso, os gringos não podem e não vão mais meter o bico por aqui.

Além disso, o barbudo, que todos cismam em chamar de ignorante de maneira maldosa, foi mascatear o Brasil em outras paragens. Vendeu nossos produtos no Oriente Médio, na Ásia, na Indía e na União Européia. Temos relações comerciais com os EUA, porém não somos tão dependentes assim, quer pela dívida externa, quer pelo comércio em dólar, agora temos euro e outras moedas ancorando nossa economia.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Toque e zumbido sem ciência

O exame de toque ainda persiste entre os homens. É uma coisa inexeqüível pensar que a ciência e a tecnologia avançam em várias direções, e bem no meio do caminho ainda continua o dedão, parafraseando Drummond. É de lascar esta história, tenho que fazer o meu exame, estou com 48 anos, e ainda resisto à idéia. Para que serve a ciência, se ela não serve a saúde e sim aos interesses de quem faz dela uma mina de ganhar dinheiro. Só pode ser isso, pois ainda não descobriram um exame digno para se descobrir se há câncer na próstata.

Fico me remoendo com esta história, não pelo fato de que serei obrigado a fazer o toque uma hora ou outra, mas pela ignorância dos cientistas sobre este assunto, e aqui, com certeza, todos eles se calam. Imagine um sujeito que você nunca viu, preparar o dedão e mandar ver no seu ânus. É de lascar! Pior: você pagar para que o desgraçado ponha o dedo lá.

Sei que muitos estão a pensar, lendo isso, que devo ser ignorante e deveria colocar meu machismo bobo de lado e o que vale mesmo é estar vivo. Não tiro a razão, penso da mesma maneira quando o assunto é a defesa de minha ou de qualquer vida, mas minha indignação também deve ter algum lugar nesta história. Ter a informação ancestral da minha condição humana, qual seja, ser macho e aquele que provem, não me exime de enfrentar um exame que pode representar a diferença entre a vida e a morte. Como quero viver, terei que enfrentar tal desafio, para mim extremamente traumático, acredito que seja também para boa parte dos homens.

A Cesar o que é de Cesar, porque não tem dono

Meu amigo fotógrafo, Cesar, disse em nossas andanças fazendo reportagens, que tem pensado muito sobre este assunto da próstata. E chegou a pensar numa saída diante da indiferença dos cientistas e da falta de tecnologia. Segundo ele, para enfrentar o tal exame, o certo é se utilizar da sabedoria popular. Cesar pretende encher a cara quando for fazer o toque. Pela sabedoria popular, todos sabem que aquilo do bêbado não tem dono mesmo. Estou pensando no assunto, encho a cara e digo para o medico ficar a vontade, ele, doutor, é todo seu.

Zumbido

Desgraça pouca é bobagem. Dia destes escrevi sobre zumbido fantasma, sons que a pessoa ouve sem que haja uma fonte geradora no ambiente externo ao ouvido. Cerca de 1 bilhão de pessoas sofrem deste mal no mundo, escutam o que ninguém ouve. A doença acontece no microfone do ouvido, conhecida por cóclea, localizada na parte interna. A cóclea transforma sons mecânicos em pulsos elétricos para que o cérebro interprete os sons. Pois é, o zumbido fantasma surge nesta região, proveniente de alta exposição a ruídos ou a problemas de origem cardiovascular, dentário, metabólico entre outros. O zumbido seria o sintoma, a causa escolha uma das que citei acima, até porque os cientistas não têm certeza disso. Pessoas chegam a ouvir 24 horas trens passando sobre a cabeça, panela de pressão, aptos, sapos coaxando para ficar por aqui. Acreditem, até hoje os cientistas não deram uma solução para esta desgraça. Meu grande amor sofre deste mal. Durma com este barulho, literalmente.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Olha aí, é o meu guri

Recentemente, vi inúmeras matérias sobre franquias de jovens promessas para o futebol. O que é, no mínimo, um castelo de areia para a infância brasileira. A franquia do São Paulo e do Flamengo chega a ter em suas fileiras centenas de garotos, sendo que apenas uma dezena, quando muito, atinge o futebol profissional. A estrutura para jogar bola é imensa, em contrapartida, falta apoio para quem fica pelo caminho. As franquias oferecem estrutura futebolística, porém os jovens que não conseguiram um lugar ao sol no futebol estarão à mercê da sua própria sorte e, ainda, durante o período que treinam nestas franquias nada ganham para ajudar no sustento de suas famílias, humildes em sua grande maioria.

Tiro de Misericórdia

A exploração destes menores sustenta uma rede muito grande de interesses, quase todos ligados a quantias milionárias na venda de jogadores para times de projeção no exterior. Estes supostos “descobridores de talentos” não dão estrutura para os jovens que não demonstraram ter talento para a bola, o mínimo seria a escola ou, quem sabe, uma formação técnica profissional, ou até um emprego. Ao invés disso, jogam estes menores nas periferias da cidade, deixando para a sociedade o resultado desta espoliação humana.
Se levarmos em conta que a capacidade instalada de estádios e o bolo publicitário do futebol no Brasil é a mesma encontrada em países como a Itália e França, o que estas franquias fazem é a face mais moderna da escravização de gente. Isto sem falar dos direitos de imagem pagos pelas TVs aos clubes brasileiros. Não oferecem escola, salários, benefícios para a família do menor e por aí vai. Ganham milhões e, depois, por ser cômodo ou até um mote de sua predação humana, creditam todo este problema à classe política.
A face desta espoliação fica mais evidente, quando, por exemplo, se sabe que um país como a Turquia, bem menor em seu mercado publicitário e na capacidade instalada de estádios, contrata grandes jogadores do nosso futebol bretão a peso de ouro. O que se quer refletir com este último exemplo, é que o futebol brasileiro é dominado por pessoas que lidam com o esporte não como negócio, mas como negociata para seus próprios interesses.
A má administração somada ao descaso das autoridades, a corrupção, quando não perdões de tributos escandalosos aos clubes, abre caminho para esta situação de exploração infantil. Em matérias que tenho lido sobre o assunto, falta este viés, falar com a Promotoria da Infância, enfim, evocar o Estatuto da Criança e do Adolescente, para saber porque estes órgãos não têm atuado neste sentido. Não é só quando o poder público não oferece escola que devemos noticiar tal fato, penso eu, mas também em outras esferas da vida humana, principalmente, da vida brasileira no tocante ao futebol, devemos apontar e mostrar o que fazem os predadores da infância nacional. Depois não adianta reclamar que o brasileiro só pensa em futebol, no caso citado, ele é escravizado antes de aprender a pensar.

sábado, 26 de abril de 2008

Veneno em dólar, alimentos em real

Recentes dados na área agrícola demonstraram que os agricultores contabilizam uma divida de 87 bilhões de reais, em 3 milhões de transações bancárias. A dívida do setor agrário denuncia que algo está errado. Batemos recordes na produção de alimentos, entretanto, os agricultores padecem sem saber quem é seu verdadeiro inimigo, o banco ou a revenda de insumos.
Ensaiando uma primeira resposta, o agrotóxico e as sementes transgênicas dariam a primeira pista sobre os insumos, caros aliás, que o agricultor tem que desembolsar a cada safra.

Mas o detalhe é bem outro: a multinacional dos insumos, maquinários e implementos agrícolas cobra em dólar e o agricultor vende em real sua produção para as mesmas empresas que oferecem toda parafernália agrícola e venenos. O cerco do capital é claro e só não o entende quem é ignorante, ou sabe, e então passa a ser um criminoso da vida.

Os tentáculos das indústrias do veneno têm como matiz energética o petróleo. Não é preciso nenhum exercício intelectual para deduzir que estes interesses são contra a energia limpa, a biomassa. São contra, por conseguinte, a produção orgânica de alimentos, ao manejo de culturas e do solo.

Na década de 60, estas mesmas multinacionais do veneno diziam que o agrotóxico seria bom para matar a fome da humanidade. Com os transgênicos agora, rezam a mesma cantilena, acrescentando que os que são do contra, não querem o avanço tecnológico. Os mitos dos transgênicos são derrubados por cientistas sérios pelo país afora, que denunciam o uso maior de agrotóxicos, contaminação genética, polinização cruzada e perda de biodiversidade.

O Paraná, o que não deve ser muito diferente em outros estados da federação, não tem uma política eficiente de acompanhamento dos órgãos públicos, no que diz respeito à fiscalização da venda de veneno agrícola. O Conselho Regional de Engenharia e Agricultura do Paraná (Crea-PR), desde o segundo semestre de 2005, não fiscaliza mais as propriedades rurais e os profissionais agrônomos do Paraná, por conta de um impedimento legal do Ministério Público Federal. A decisão federal entendeu que a atividade agrícola por ser milenar, não necessita de orientação técnica para os agricultores plantar. Sem comentários. Diga-se, antes que se cometa uma injustiça, que o Ministério Público Estadual pensa totalmente o contrário.

Os próprios órgãos de Saúde do Estado do Paraná dão conta que o número de intoxicações agudas de agricultores subiu 20% entre 2006 e 2007. O descontrole da Secretaria da Agricultura e Abastecimento em fiscalizar é patente, o órgão usa caneta e papel para anotar e calcular milhões de litros de veneno, para ficar neste exemplo.

Seria irônico se não fosse verdade. Esperamos a situação chegar num ponto insuportável, a velha política do quanto pior, melhor. Estamos assistindo os “caneteiros” assinando autorização para venda indiscriminada de agrotóxicos a torto e a direita, pressionados pelos interesses comerciais e econômicos das multinacionais do veneno. Estamos matando nossa oportunidade de sermos a Neo Roma deste planeta, na produção de energia limpa, matando a fome do mundo e criando empregos para todos que moram por estas bandas. De quebra, caso interesse, deixamos nosso mundo mais limpo.