sábado, 24 de julho de 2010

Cissa Guimarães e o dólar que não era furado

O título faz alusão a um velho filme de cowboy e narra a história de um pistoleiro salvo por uma moeda de dólar, neste enredo americano o vil metal serviu de anteparo para salvar a vida do matador. Mas quem tem dinheiro (mesmo que metálico) e poder pode ter tratamento diferente no Brasil. Senão, vejamos. O filho de Sérgio Sirotsky, membro do conselho administrativo da Rede Brasil Sul de Comunicação, afiliada da Globo, estuprou com coleguinhas uma garota de 14 anos e, até onde se sabe, nada aconteceu. Tem até um filho de um delegado que participou do estupro coletivo. O pai, policial, que começou a acompanhar o caso como forma de proteger o filho, disse à repórter a seguinte frase: Não sei se houve estupro, eu não estava lá. Na certa, o suposto homem da lei queria saber se era uma festinha, caso confirmado, suponho, apoiaria a atitude do filho macho.
No caso do filho de Cissa, os atropeladores pagaram propina para os policiais, segundos depois de passar com o veículo por cima do filho da artista. Quando o caso veio à baila pela mídia, quem atropelou teve que dar explicações na delegacia. Os policiais foram afastados e tiveram seus nomes divulgados, o que é mais estranho, já que em inúmeras mortes provocadas por policiais contra vítimas inocentes não há qualquer divulgação neste sentido.
Os R$1 mil pagos aos policiais também foram divulgados e tudo mais. Já no caso do goleiro Bruno do Flamengo, salta aos olhos a falta de investigação em cima do ex-policial que supostamente teria esquartejado Elisa. Não vi até agora o pessoal investigar a fundo a vida do matador e onde ele teria escondido o corpo.
Mas por ironia do destino, a vida destes personagens tem como enredo trágico o poder que traz prazer e dor para quem dele faz usura. Na verdade, o que deveria estar em primeiro lugar é a relação cidadã baseada na Justiça, na solidariedade e no respeito ao próximo. O dólar, neste caso, não salvou ninguém.

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