segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Economia mundial vai mudar de mãos

Matéria feita após a primeira grande queda das bolsas do mundo todo, em setembro de 2008.

Uma nova ordem mundial econômica deverá ser escrita devido a crise sem precedentes dos mercados no mundo todo, afirma especialista

Edson Pereira Filho

Um divisor de águas na economia mundial está acontecendo neste momento: Wall Stret está mudando de lugar e de bandeira. O capitalismo não será mais o mesmo, vai mudar de mãos, do EUA para o Oriente Médio ou para a China. Nem Agência Central de Inteligência (CIA), tem condições de saber quem está comprando a indústria armamentista americana, os bancos e tudo que possa ser vendido, podre ou não, na Bolsa americana. Osama Bin Laden e até Hugo Chavez estão comprando companhias americanas e européias neste momento, porque estão dolarizados. Aliás, a China comunista é a bola da vez na economia mundial e já está par a par com a economia dos EUA.

Uma nova ordem mundial econômica está para ser escrita, tendo como autores principais países emergentes. Um novo Breton Woods (um acordo mundial depois da quebra dos mercados em 1929) está para ser redesenhado. Depois desta crise, a Economia mundial mudará, com certeza, de mãos. Estas são as reflexões e afirmações do professor em Evolução da Análise Econômica, Miguel Arturo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele é categórico ao falar que o sistema econômico mundial ''faliu'', que os governos do mundo todo precisam sentar-se à mesa e discutir os ditames de uma nova ordem mundial econômica.

O especialista chama à atenção para o fato de que os organismos reguladores da economia mundial, como Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (Bird), sequer estão sendo chamados para falar da crise ou intervir sobre ela. ''Estas instituições internacionais não regulam mais nada'', retalha o pesquisador. O estudioso questiona o possível controle dos bancos centrais americanos e europeus sobre a crise. ''Eles (bancos) não sabem quanto de dinheiro podre tem no mercado financeiro e em suas próprias instituições, como vão poder controlar uma crise sem precedentes históricos'', indaga, preocupado.

Neste sentido, o governo francês Nicolas Sarkozy já convocava esta semana os governos do Brasil, da Rússia, da China entre outros para discutir o descontrole da economia mundial. O detalhe é que países emergentes nunca participaram destas reuniões, como a do G-8. ''Na verdade os EUA e a Europa estão querendo socializar a crise hipotecária com os países emergentes'', descreve Arturo, ao falar que o governo americano não tem mais como suplantar a crise interna e está procurando alguém que queira pagar o ''cassino'' que se tornou a economia americana, sem empresas ou empreendimentos reais por traz de papéis podres.

''Os governos de todo mundo terão que redefinir quem comandará a economia mundial. Talvez um super banco central. Mas com certeza, estão diante de uma mudança econômica histórica'', afirma. Arturo explica que se não houver um encontro entre estes países para ditar a nova regra mundial econômica, o mundo corre um sério risco de perder o controle total das economias. Enquanto isso não acontece, o pesquisador afirma que neste momento, arabes e chineses, estão comprando companhias dos EUA e da Europa.

As quebras das instituições bancárias e de empresas nos continentes europeus e americanos serão diárias, sendo presa fácil dos continentes que estão dolarizados, como a Ásia e Oriente Médio. Ele compara ao dizer que o Brasil possui cerca de US$208 bilhões de reservas cambiais, enquanto o Oriente Médio e China possuem trilhões de dólares para gastar onde quiserem neste momento. Segundo ele, estas economias citadas estão nomeando uma espécie de testas-de-ferro para comprar tudo que estiver à venda na economia americana, que está descapitalizada e sem rumo. ''Na Europa também, arabes e chineses, estão comprando companhias podres ou não. Eles serão os novos donos da economia mundial. O poder econômico americano está em xeque'', afirma.

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