sábado, 20 de setembro de 2008

Crise Mundial: Sinais dos Tempos

A Bolsa de Valores mostra sua face mais normal para desentendidos e horrorizados expectadores e leitores que tentam entender, em vão, a jogatina que é o mercado financeiro. As perguntas que ficam no ar destas pessoas que não entendem nada do assunto, deixam uma resposta em forma de axioma: para investir em Bolsa ou entender dela é preciso participar. Como vou me interessar por algo que não faz, em certa medida, diferença no meu dia-a-dia? Esta questão deixa mais precisa a pergunta que pulula na cabeça dos que pouco ou nada sabem sobre o sobe e desce da Bolsa.

Vamos a algumas respostas sobre a tal crise. A crise econômica mundial começou com a crescimento econômico de economias como a do Brasil, Índia, Ásia e países do Oriente Médio. Estes países e continentes passaram a vender produtos industrializados, commodities (agrícolas e petróleo) e produtos agropecuários para o mundo todo. As economias tradicionais, poderosas, ficaram dormindo no ponto. Europa, EUA e Japão continuaram no ritmo normal de produção.

Paralelo a esta situação, os EUA, por exemplo, por ter muito dinheiro e não saber o que fazer com ele, resolveu queimá-lo financiando a construção de imóveis, mediante empresas do setor de construção civil pouco ou nada confiáveis. Somando-se a isso, corretoras inescrupulosas, saíram no mercado americano vendendo papéis destas empresas, bancos e fundos de pensões caíram na armadilha comprando tais papéis. Aliás, estas ações não tinham lastro, devido os compradores dos imóveis não pagarem suas prestações regiamente, quer pelo desemprego ou pela desaceleração da economica americana.

Quando o mercado financeiro descobriu a fraude, já era tarde, bilhões de dólares prometidos como dividendos pelas ações podres, conhecidas por subprime, não passavam de areia vazando entre os dedos. A crise que vem desde novembro de 2007, teve seu ápice na quarta-feira, dia 17 de setembro, quando num "Efeito Manada" fundos de pensões e bancos venderam suas ações podres por qualquer preço e investiram em ativos do governo americano, ganhando até menos em dividendos.

Busch e o Federal Reserve (FED), Banco Central americano, na sexta-feira, dia 19, resolveram anunciar um pacote econômico, que em síntese, injeta bilhões de dólares nos bancos que venderam títulos no subprime, visando estancar a sangria da economia mundial e americana. A crise deixou de ter a perspectiva de ser sistêmica. Graças.

Mas é engraçado ver os americanos salvarem seus bancos, quando se lembra que não muito tempo atrás, os gringos do Velho Oeste recomendavam para nossa economia, na época do presidente FHC, que deixássemos quebrar os bancos brasileiros. O Fundo Monetário Internacional (FMI) apontava o dedo para nós, num tom inquisitor, exigindo que deixássemos quebrar nossa economia.

Pimenta nos olhos dos outros... Sinais dos tempos, o mesmo antídoto não foi utilizado agora pelo governo americano, que tratou de salvar suas instituições financeiras, com US$ 700 bilhões de dólares, aumentando sua dívida pública para US$ 13.315 trilhões de dólares. Quem pagará esta jogatina travestida de investimento em mercado de capitais? Nós, o restante do mundo. E só não sofremos mais com esta crise de maneira avassaladora, porque o metalúrgico pagou a dívida, mandou o FMI plantar coquinho na descida e, com isso, os gringos não podem e não vão mais meter o bico por aqui.

Além disso, o barbudo, que todos cismam em chamar de ignorante de maneira maldosa, foi mascatear o Brasil em outras paragens. Vendeu nossos produtos no Oriente Médio, na Ásia, na Indía e na União Européia. Temos relações comerciais com os EUA, porém não somos tão dependentes assim, quer pela dívida externa, quer pelo comércio em dólar, agora temos euro e outras moedas ancorando nossa economia.

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