domingo, 2 de maio de 2010

E por falar em Bolsa Educação

De cada 10 milhões de alunos que entram no ensino médio todos os anos, 3 milhões farão os três anos e apenas 1,8 milhão destes estudantes irão se formar no Brasil. Além deste dado, 40% de potenciais estudantes, entre 14 e 16 anos, que deveriam acessar o ensino médio, anualmente, deixam de fazê-lo. A resposta clássica entre os que não procuram prosseguir os estudos após o ensino fundamental, é que a escola não trará qualquer serventia ou utilidade para suas vidas. Os que ficam fora da escola por opção pessoal, alegam que só o estudo não lhes garantirá um lugar ao sol no mercado de trabalho. Os que ficam pelo caminho, somados aos que não quiseram fazer o colégio, têm como destino o mercado de trabalho (mão-de-obra descartável, remunerada com péssino salário), são abocanhados pelo narcotráfico – na sua grande maioria – e boa parte sobrevive graças às políticas públicas do governo federal.

O Bolsa Família, assim como outras mais de 40 ajudas governamentais, introduziu no consumo de mercadorias e bens uma parcela considerável da população, gerando um ciclo virtuoso da economia. Apesar disso, esses programas de renda não conseguiram gerar estabilidade familiar e tornar essas pessoas protagonistas de sua sobrevivência econômica. É a velha política de dar o peixe e não ensinar a pescar. Uma espiral descendente, do ponto de vista da educação, é o que se observa nestas famílias, entretanto, seria pior se não houvesse políticas públicas. Analistas avaliam que se estes programas sociais interagissem e sofressem constantes avaliações, poderíamos avançar cada vez mais na educação de qualidade, o que proporcionaria melhores empregos para a população e melhor renda, tornando então, estas famílias protagonistas de sua sobrevivência econômica. Os diversos ministérios do governo, com suas respectivas bolsa isso e bolsa aquilo, trabalham de maneira separada, sem haver uma ação conjunta para resultados mais vigorosos no que tange à inclusão social.

O Brasil é conhecido pela enorme desigualdade social, entre ricos e pobres, especialmente quando o assunto é educação. A educação do pobre é péssima e a do rico é considerada de bom nível entre pesquisadores da área. Porém, o Brasil é um dos últimos do mundo quando o assunto é capital intelectual e disso, pode-se afirmar, deriva toda pobreza. O paternalismo no Brasil de governos em relação à população não é algo novo. Entretanto, não há dúvida de que as políticas públicas têm que continuar, porém é preciso medir o retorno disto e cobrar da população beneficiada o empenho pessoal na melhoria de suas condições.

Há também uma bomba relógio em curso, apenas 2% de estudantes do magistério de todo País resolveram seguir a carreira de professor nos últimos anos. Já está faltando professor porque o aluno observa que seu mestre ganha mal, dá aula numa escola suja, destruída e a violência grassa dentro e fora do estabelecimento escolar.

Surgem então, soluções paliativas, para não dizer estúpidas, no sentido de enfrentar o problema da educação no Brasil. Uma delas, sem dúvida, políticas públicas que têm interesses mais eleitoreiros do que o enfrentamento real da desigualdade social. Há também alunos que usufruem de programas sociais, sem qualquer direito, pois são oriundos de classes sociais mais abastadas. Criou-se também a figura do vagabundo funcional (foi a designação mais próxima que encontrei), uma espécie não muito rara de servidor que se esgueira pelos cantos das unidades escolares. O policial que entra na sala para dar aula de cidadania e drogas, quando deveria estar na rua para prender bandidos. O profissional que se deu mal no mercado de trabalho – ou que não gosta do que faz – e vê na escola uma saída para seu infortúnio pessoal. Professores de outras matérias ministrando disciplinas para quais não possuem sequer o conhecimento básico, objetivando com esta atitude, pouco louvável, complementar renda. Estas situações se reproduzem até dentro das universidades, bem menos um pouco nas públicas. O vagabundo funcional, baixos salários para professores, escolas destruídas, políticas públicas sem rumo e a falta de um plano nacional de educação que leve em conta esta situação, são alguns dos fatores que fazem com que o Brasil patine cada vez mais no processo de inclusão social tão propalado nos últimos anos. Neste campo da vida nacional, falta direção, em todos os sentidos.

Fontes: Ministério da Educação, universidades particulares e públicas de ensino reunidas no programa Univesp. Fotos: CNBB e Ministério da Educação.

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