A obviedade é que apesar das crendices, o mundo caminha melhor, embora muitos cientistas e loucos tenham sido mortos em nome de Deus. Quantos foram degolados. Enforcados. Queimados na fogueira. Imagine um maluco ter dito a alguns crentes que a terra era redonda, Galileu voltou atrás, anos mais tarde, a terra é redonda e fim de papo. Imagine então dizer que o mundo não acaba ali, ou melhor, no fim do mar, pois é, descoubriu-se depois que o mundo é imenso, sem haver um cálculo preciso de seu tamanho.
Imagine religiosos dizerem que o negro (e até o índio) era inferior, um bicho, um animal que deveria ser domado, anos depois, descobriu-se que as religiões e alguns estados europeus e americanos queriam mesmo instituir a vagabundagem, fazendo da população negra escrava de seu ócio. A ciência, mais uma vez, mostrou que os supostos donos da palavra divina queriam mesmo inferiorizar os negros.
Quantos profetas disseram que o mundo vai acabar? Lembra? Pois é, resta, neste caso, esperar, pois este véu tem como princípio prender os ignorantes numa redoma eterna.
E a ideia de que é necessário existir pobre, caso contrário não haveria rico. Aí apareceu um maluco, subversivo, e disse que a exploração dos menos favorecidos se dava pela força das ideias e pela força militar dos ricos. Outro completou: a produção capitalista exclui a maioria em detrimento de uma minoria. Isso causou um rebu, até hoje o mundo não aceita esta exclusão. Veja as manifestações contra as bolsas de valores no mundo.
O antropólogo Darcy Ribeiro fala muito disso num texto chamado "O óbvio". Como estas histórias de então, que a inflação, projetada para 5,67% no início de janeiro, volta com força total. Daí todos vão deixar de comer, vestir, pagar contas, passear, brincar, ir ao parque, ao cinema, ao teatro, ao jogo de futebol porque o monstro inflacionário está de volta. Não, de maneira alguma, o País não para, o mundo muito menos e o universo segue suas leis naturais estabelecidas muito antes das religiões, da própria ciência ou de qualquer outro falso profeta.
O consumo, assim como o dia a dia, será o mesmo daqui a milhares de anos. Vamos deixar que Deus também mostre a felicidade, sem ninguém para por um cabresto em nossas consciências para dizer onde devemos consumir, onde devemos gastar, onde devemos passear. Pior, uma canga para dizer o que devemos ou não fazer.
O País vive um momento ímpar e cresce a olhos vistos, porém isso não se traduz até o presente momento em melhorias no atendimento à saúde, na melhoria da educação, na melhoria dos transportes, no emprego entre tantas outras promessas. Não fosse à imprensa, a presidente Dilma Roussef, por exemplo, não teria demitido sete ministros acusados de corrupção. Porém, se todos esses ministros foram defenestrados, há algo bem maior nesta história toda, isto é óbvio. É preciso avaliar o que os órgãos de investigação do governo estão fazendo em Brasília.
Desejar Feliz Natal ou um ano próspero é óbvio demais, estamos vivendo próximo disso, porém só alguns festejam.
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